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Ajeitando o Saree- Como foi minha primeira experiência com a famosa roupa indiana!

Ajeitando o Saree- Como foi minha primeira experiência com a famosa roupa indiana!

Quando falamos em mulheres indianas logo nos vem a cabeça a imagem da tão famosa roupa chamada saree. Depois de ver a novela caminho das Índias eu sonhei usar a expressão "arrastar o saree no mercado" ! Quer saber como foi minha primeira experiência com o saree? Vem cá que eu te conto!

Novembro, inverno, Agra, 2017

Minha primeira vez usando o Saree. Nossa, estava realizando 2 sonhos num dia só! Arrastar o Saree pela rua e conhecer o Taj Mahal.

E como você aprendeu a vestir o saree Aline? Boa pergunta! Na loja que comprei, uma amiga indiana me vestiu para eu experimentar alguns antes de comprar.

Não desgrudei os olhos durante todo o processo , mas confesso que na hora de fazer sozinha bateram umas dúvidas...

Bem, coloquei do jeito mais ou menos que lembrei e fui! Autoconfiança é tudo né?

Ao chegar no Taj Mahal, enquanto estava na fila esperando vi um grupo de indianas me olhando e cochichando entre elas. 

Fiquei meio envergonhada e curiosa ao mesmo tempo. Era notório que estavam falando de mim!

Desviei o olhar para frente, esperei uns segundos e olhei novamente para elas. Elas continuavam a me olhar dos pés a cabeça e cochicharem entre elas.

Bem, talvez não gostem de ver estrangeiras vestindo saree. Pensei.

 A Índia é uma cultura tão peculiar que eu poderia esperar qualquer coisa. E respeitaria também. Afinal, eu quem estava na casa deles. 

Mais uma vez, olhei para frente avistando a fila enquanto aguardava o guia voltar.

Não resistindo, passado alguns segundos, olhei novamente para ver se aquele grupo de mulheres ainda estavam ali. Elas continuavam a me olhar e falar algo que eu não entendia. Até que uma delas fez um gesto me chamando!

E o que eu fiz? Fui até lá , claro! Afinal, não estava aguentando de curiosidade!

Segurei a saia do saree que arrastava para não tropeçar e fui rapidamente até elas.

Cheguei com um sorriso no rosto para todas esperando qalquer tipo de comentário, bom ou ruim. Deviam ser umas 9 ou 10 indianas no grupo.

Uma delas se afastou de mim dois passos e me olhou como se estivesse me scaneando. Depois, fez aquel tik que eles fazem com a cabeça (que a gente nunca sabe se é sim ou não), olhou nos meus olhos e fez uma cara de que não estava bom!

E antes que eu pudesse ficar sem graça ela perguntou: Posso te ajeitar?

Com o olhar reluzindo respondi: Claro!

E assim, no meio daquela multidão de pessoas entrando e saindo elas foram me desembrulhando daquele Saree. 

Fizeram um círculo ao redor de mim, falando em hindi! Se entender o inglês lá já é difícil, imagina hindi?! Só sei que uma falava algo e outra surgia com alguma coisa na mão, tipo médico e instrumentadores em cirurgia! 

Pra quem não sabe, o saree é um tecido de 4 a 9 metros de comprimento, sem botões, sem zíper,nada pra prender! Ele vem com um tecido extra, que elas levam a costureira para fazer a blusa, o Choli, o jeito que elas chamam. Como eu não tinha tempo para levar a costureira, usei um kroppet que eu tinha na mala pra improvisar. 

Pra prender o saree, usa-se uma saia longa, que é chamada petticoat. A saia, uma amiga indiana que me hospedou, me deu de presente. Elas são vendidas separadas do saree.

O preço do saree varia muito. Vai desde R$10,00 (os mais simples de algodão), os medianos uns R$75,00 (foi o que eu comprei) e os mais sofisticados uns R$2.600,00 (os que eu namorei na loja). Se você quiser de algum estilista famoso o valor é ainda maior!

Só lembro que elas me viraram, desenrolaram, enrolaram, arrumaram alfinete na bolsa de uma delas, colocaram aquele negócio vermelho no meio na minha testa (Bindi). o Bindi é considerado o símbolo sagrado de Parvati, uma deusa hindu, e simboliza a força feminina (shakti). Acredita-se que proteja as mulheres e os seus maridos.

Após uns 5 minutos, elas se afastaram e olharam novamente pra mim!Ela se afastou os mesmos 2 passos e agora olhava com um sorriso orgulhosa! 

Fez aquele tik com a cabeça e um gesto de que agora estava bonito! 

Eu, sendo mais uma vez cuidada como filha! Foi essa a sensação que tive. Que eu fazia parte da família e estavam me ajudando. Minha gratidão por essas mulheres será eterna! 

Elas olhavam com um olhar de admiração, orgulho e amor que eu nunca tinha visto na vida!

Fiquei pensando que eu deveria ter me arrumado igual a uma palhaça!!! kkkk... Elas poderiam ter me deixado ir de qualquer jeito, mas não! Fizeram questão de me ajudar e me deixar bonita para as fotos!

Só existe um jeito de você não se apaixonar por esse país. Mantendo-se longe dele. Não tem como voltar pra casa sem deixar escapar uma lágrima. Se você for de coração aberto a Índia entra nele e faz morada eterna!

Não tem como esquecer tudo que se vive lá! 

Se eu chorei no Taj Mahal? Sim! Nunca imaginei conseguir chegar lá! E foram tantos obstáculos pra chegar... nossa...  Você não tem idéia da sua beleza e imponência até estar frente a frente com ele.  Aquele lugar tem uma magia!

E já que a história dele tem a ver com amor... ele me fez experimentar a grandiosidade de amor que cabe neles com o gesto das mulheres comigo lá fora!

Obrigada senhoras, por me permitirem ficar tão lindas como vocês!

Em um mundo onde você pode ser qualquer coisa! Seja gentil!

Aline Monteiro

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Postado por: Aline Monteiro

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Extrovertida, brincalhona, aventureira, mãe, mulher, resolvida e também adoro mochilar um pouquinho mundo a fora!

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