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50 Tons De Uma Mochileira Itinerante! Itália/ Roma (Parte 2)

50 Tons De Uma Mochileira Itinerante! Itália/ Roma (Parte 2)

Ola! seguidores Meu nome é Aline Monteiro e hoje vamos dar continuidade a minha história romântica na Itália. Se você não leu a primeira parte dessa aventura, da uma pesquisada no meu blog vem ca que te conto pra ficar por dentro. Bora lá conferir a segunda parte desse história?

No dia seguinte…

Ligo ou não ligo? E agora?

50 Tons De Uma Mochileira Itinerante! Itália/ Roma (Parte 2)

Vamos lembrar que falar ao telefone em inglês pra quem não tem fluência não é uma tarefa fácil.  Enquanto aguardava o almoço sentada na cadeira do restaurante olhava o telefone e o nome do contato dele lá na minha agenda. Vontade de ligar não faltava, o que faltava naquele dia era a fluência de qualquer outro idioma mesmo! rs..

De repente volta o garçon e eu largo o celular na mesa achando que ele estava vindo com a comida. Olá signhorita! Posso te dar essa rosa?! Ahh.. sim ! Que linda! Obrigada! Era uma rosa feita de guardanapo.

Estas sozinha?

Não. Menti! (lembrei que é bom não dizer que está sozinha quando se está viajando sozinha). Meus amigos foram almoçar em outro lugar e estão me aguardando.

E quando acabei de responder , alguém o chamou dizendo que minha refeição estava pronta!

Ele voltou até a minha mesa , deixou o prato e buon appeti!

Agradeci e pensei. Nossa… isso aqui é um paraíso das solteiras! pq não vim pra esse país antes?! rs…

Acho que os italianos curtem bastante as brasileiras. Mais um mês lá e eu casava! hahah…

Acabei a refeição rapidinho e pensei. Bem, vou ter que gastar meu inglês e meus créditos se quiser reencontrá-lo!! Não vai ter jeito!

Tummm…. (1 toque)

Tummmm… (2 toque) Vou desligar…eu vou passar vergonha! Não sei falar inglês direito e não vou entender nada!

Tummmm…(3 toque)  Alô?  (Ufa, atendeu! Mas, e agora?)

Olá, aqui é a Aline. Tudo bem? Me escute com atenção e me desculpe pelo inglês de bar! rs .. Quero encontrar você hoje novamente hoje. Podemos?

Claro mia Bella principessa! Ele responde docemente

Ufa! primeira parte concluída com sucesso! Pensei

Onde e que horas? Eu pergunto (Curta e objetiva pois não tinha vocabulário para mais que isso!)

Como você não conhece muito bem a cidade ainda, pode ser na Fontana de Trevi às 7:30pm. O mesmo lugar que nos conhecemos. Saio do trabalho, pego o metrô e vou direto ao seu encontro. Retrucou ele.

Agora parece fácil de entender, mas vou te falar que ele repetiu pausadamente essa frase umas 3 vezes enquanto eu fechava os olhos com o celular grudado no ouvido para tentar focar o máximo da minha atenção.

Combinado! Respondi  sorrindo enquanto fazia sinal para o garçom pedindo a conta.

Então até mais tarde. Beijo! Ele se despediu.

Nossa! Soltei todo ar que tinha no pulmão! Estava muito orgulhosa de mim! Consegui combinar um encontro mesmo com minhas limitações linguisticas!

Paguei e fui me perder na cidade. Quando falo me perder é de fato me perder pois eu vivia com aqueles mapas da cidade na mão mas não me encontrava de jeito nenhum!

O bom de viajar sozinha na Itália é que eles são observadores… lá tudo é num ritmo menos acelerado que aqui no Brasil. Então, não se assustem se de repente, chegar um italiano perto de você se oferecendo para tirar uma foto sua pois está vendo de longe que você está fazendo mil selfies sozinha.

Aquele dia conversei com uns dois que estavam sentados perto de pontos turísticos e se ofereceram para tirar as fotos, e, claro, puxar um assunto.

Depois de tanto andar, me perder e me achar, voltei ao hotel já no final da tarde.

Nesse dia, chegou um casal de amigos brasileiros que ficariam hospedados no mesmo hotel.  Combinamos de fazer parte do roteiro juntos. Depois eles seguiriam para outros países.

Tok tok.. um barulho na porta do quarto.

Chegamoooooss!!!

Nossaaaaa! Uhuuuu!!! Que felicidade em ver vocês! Vocês não tem noção de quanto eu precisava falar português com alguém!!  Falei com esse meu jeito nada escandaloso de ser!

Eles chegaram super empolgados querendo saber como eu tinha me virado e o que eu tinha visitado enquanto estava lá sozinha. Era nossa primeira vez na Europa. Estávamos eufóricos.

Vamos jantar onde amiga? Você já deve saber todos os lugares bons daqui né? Perguntaram

Sei sim. Tem um logo aqui na esquina muito bom e com um ótimo preço! Mas… então…eu não vou poder jantar com vocês hoje a noite…  Falei baixando meu tom de voz fazendo um ar de mistério.

Oi? Como assim? Eles arregalaram os olhos e perguntaram quase que juntos.

Eu já tenho um encontro com um italiano que conheci na Fontana de Trevi ontem a noite. Vamos jantar juntos. Respondi

Bem, depois eu conto com detalhes! Agora , deixa eu tomar meu banho e começar a me arrumar que não quero me atrasar!  Amanhã sou de vocês! Brinquei.

Eles riram durante alguns segundos até que eu interrompi com uma pergunta mega séria!

Ainda bem que vocês chegaram… em qual mala está a minha bolsinha de calcinhas que eu tinha esquecido no Brasil? ( ao arrumar as malas minha bolsinha com as calcinhas ficaram em cima do sofá! Eu tinha mandado mensagem para minha mãe enviar por eles!)

Então gata, temos uma notícia pra te dar! A companhia aérea perdeu a nossa mala!

Oi? Como assim? Dessa vez, foi minha vez de arregalar os olhos! Meu Deus! E agora? Como vocês vão fazer? E minhas calcinhas? brinquei! Elas realmente não querem chegar até mim!

Eu estava com a calcinha do corpo apenas. Lavava a noite e usava o secador de cabelo do hotel para conseguir deixá-la própria para uso.  Gastar dinheiro com lingerie não estava nos meus planos.

Mas enfim, depois desse sumiço das calcinhas, não tive escolhas! Não sai do Brasil pra andar sem calcinha na Europa né?

Mas e aí? O que a companhia aérea disse? Perguntei apavorada.

Pegaram nossos dados e pediram para aguardar pois entrarão em contato. Vamos precisar passar em alguma loja amanhã para comprar roupas Me explicaram.

Que merda hein?! Putz.. (Eu nem sabia que isso podia acontecer. Era inexperiente nesse assunto).

Gente, estou indo pro banho e me arrumar. Encontro vocês quando voltar. Tudo bem?

Carlinha, vê se tem alguma roupa na minha mala que você possa usar.  Fica a vontade.

André, acho que tem uma blusa de malha que você pode usar para dormir essa noite!

Sobre calcinhas e cuecas já não posso ajudar! Falei num tom de brincadeira.

 

Nunca fui tão pontual na vida.

O tempo estava estranho..chovia e parava toda hora.

Enquanto isso  estava eu em pé, na frente da Fontana de Trevi  trocando meus olhares entre o relógio do celular e as pessoas que se aproximavam…

7:35pm… nossa… será que ele vem?

7:40pm… eu sou maluca de estar sozinha em pé aqui esperando um cara que mal conheço…

7:42pm… será que eu entendi certo o que ele falou? Ai meu Deus, será que eu traduzi corretamente?

7:45pm… Buona notte  mia bella! Escuto uma voz atrás de mim junto com aquela fragrância maravilhosa de perfume importado.

Ufa! Você che…

E antes que eu terminasse a palavra ele me surpreende com um beijo. Um beijo daqueles sem pressa, sem se preocupar com o tempo sabe? Acho que foi um dos beijos mais demorados da minha vida. Aquele beijo que tava o dia todo te aguardando. Que morde sem machucar, que segura teu cabelo com a precisão perfeita, que vem te trazendo pra perto e encaixando no seu corpo te deixando em outra dimensão…

Já tinha escurecido a hora que ele chegou e por conta da chuva não haviam mais tantas pessoas ali em volta, a não ser alguns indianos que rodeiam por ali oferecendo insistentemente seu serviço de fotografia na Polaroid.

Eu já tinha dito uma dúzia de educados nãos e já estava sem graça.

Perdono , eu peguei o metrô e corri o mais rápido que pude. Após aquele beijo ele já tinha feito eu esquecer até meu nome…imagina se eu tava lembrando do atraso?!

Tudo bem, respondi me aproximando mais dele e do seu guarda chuva.

Vamos, quero te levar em um lugar para tomar um vinho e comer uma deliciosa massa.

Esse dia ele estava usando óculos. Não sei explicar, mas ele conseguiu ficar ainda mais charmoso de óculos. Um homem de óculos pode chamar muito mais atenção do que imagina.

E antes de sairmos advinha quem veio novamente oferecer seus serviços de fotos na Polaroid?

Sim. Um indiano se aproximou perguntando : Foto do casal?

Eu me antecipei dizendo, não obrigada!

Então ele perguntou, quanto custa cada foto?

O indiano respondeu : 5 euros!

Ele barganha: 2 fotos por 8 euros ok?

O indiano super ultra mega feliz foi ajeitando sua máquina e se posicionando para pegar o melhor ângulo.

Ele, vira pra mim, me protegendo da chuva com uma sombrinha e pergunta: Você aceita tirar essas fotos comigo pra gente ter esse dia de recordação?

Eu respondi sim como se tivesse respondendo a pergunta do padre no dia do casamento!

E lá estava eu, a Fontana de Trevi e o rapaz do olhar hipnotizante novamente. Mas dessa vez,  tirando fotos igual a casal de namorados. Tiramos duas fotos fazendo poses diferentes.

Uma abraçados e outra nos beijando. As duas, ele segurando um guarda chuva tranparente e de fundo a Fontana de Trevi. Dá pra ser mais romântico que isso?

Ele pegou as fotos e me mandou escolher uma. Escolhi a do beijo. Óbvio!

Paramos em um lugar para tomar um vinho e jantar. Lá fora um pé-dágua! A chuva aquela noite não estava dando tréguas.

Sentados a mesa, a cada golada na taça de vinho ele me olhava com os olhos mais apertados. Já era difícil ativar o Google tradutor da minha mente, imagina, me concentrar nas palavras e no olhar ao mesmo tempo?

Terminamos o jantar e eu fui tirando o dinheiro para rachar a conta. Ele me olha furioso e pergunta: O que é isso? Guarda isso agora! Falou meio bravo até.

Pedi desculpas e disse que isso era normal no meu país. (Momento choque cultural)

Pode ser no seu, mas aqui não! Não faça isso novamente por favor! Retrucou ele.

Ele realmente ficou chateado com isso… e confesso que eu gostei.  Não pela grana, mas acho o simbolismo legal.

Após o choque cultural, fomos caminhando pelas ruas um pouco desertas por conta da chuva, esperançosos de que ela passaria!

Agarradinhos, debaixo do guarda chuva sincronizamos nossos passos e mais uma vez ele foi meu guia turístico, me levando em vários lugares. Cada um mais lindo que o outro.

O bom de uma viagem na Itália é que ela respira história e exala beleza por qualquer rua que você passe. E pra admira-la, basta gostar de caminhar.

A chuva diminuía, parava e voltava com força total. Nessa seqüência. E assim fomos caminhando cada vez pra mais longe.

Nossa que dilúvio é esse?  Comentei  enquanto sentia meus pés molhados de tanto enfiá-los nas poças d’água.

Vamos parar aqui um pouco. Diz ele.

E assim, paramos embaixo de uma marquise estreitinha que rodeava uma esquina próximo a uma igreja com uma escadaria super florida! Pra variar também não faço idéia do nome desse ponto turístico.

Ali ficamos conversando sobre a vida, sobre a possível visita dele ao Brasil, vendo a chuva cair e a rua ficando deserta.

Eu cansada de ficar com o bumbum espremido na parede e na ponta do pé pra não me molhar, pedi a ele o guarda-chuva e fiquei conversando em pé na sua direção fora da estreita marquise.

Até que ele para e diz. Tenho um presente pra você! Uma lembrança na verdade. Por isso me atrasei!

Eu olhei pra ele  e só não fiquei enrubescida porque sou muito morena pra isso. Pensei, caralho, eu não tenho nada aqui pra dar a ele… Respirei fundo e sorri dizendo: Que legal! Obrigada!

Então ele tira um saquinho do bolso interno do seu blazer e me entrega.

Eu, controlando a criança interior que queria despedaçar o saquinho, tirei o durex  igual uma mocinha e abri o saquinho. Era um colar com uma medalha em inox escrito uma frase em italiano em espiral com uma cordinha marrom.

Que lindo, me ajude a colocar? eu disse!

Claro. Mas antes quero ler pra você o que está escrito, posso?

Sem dúvida. Respondi já rogando a santa padroeira das moças não fluentes no inglês pra me ajudar ali!

"Nessuno di noi è nato con un paio di ali, ma solo clui che sogna ha il potere di volare"

Então ele começa a traduzir para inglês, ” Nenhum de nós nasce com um par de asas, mas somente aquele que sonha tem o poder de voar”

 

Enquanto ele lia, fui lentamente posicionando o guarda chuva pra trás. Minhas lágrimas foram descendo molhando o meu rosto junto com a chuva …

Ownn.. você não gostou? Perdon mi principessa!

Não é isso. Eu adorei! Foi um dos presentes mais significativos que ganhei. Retruquei

Eu só sei que enquanto ele lia aquilo passava um filme na minha cabeça…fazer aquela viagem não era algo fácil. A gente que é brasileiro e gosta de viajar sabe disso. Estar ali foi um sonho  realizado. Na época, parcelei aquela passagem aérea em 10 vezes tomei coragem e fui.  Quando ele leu aquilo era como se o universo tivesse falando comigo : Ei mocinha,  viu só como você pode voar? Viu como você pode realizar seus sonhos ? Viu como você é capaz? Você pode não ter nascido num berço de ouro, você pode não ter um salário que sobre muita grana por mês, você pode não ter nascido com essas “asas”, mas você nasceu sonhadora guria! E quem sonha… ahhh…quem sonha pode voar pra qualquer lugar e você está vivenciando isso!

É difícil escrever coisas reais importantes sem se emocionar.  Estou aqui secando meu rosto de novo mesmo após tantos anos.

Na verdade,  só algumas amigas muito próximas sabiam dessa história. Agora ela pode vagar por aí…nos 5 continentes. Que louco isso!

Talvez eu precisasse escrever que uma viagem pode trazer mais do que só paisagens bonitas. Pode trazer mais que likes e comentários maneiros. Ela pode trazer amizades pra uma vida inteira. Pode trazer amores de alguns dias e porque não pra uma vida? Pode trazer crescimentos e respostas que você busca, mas você precisa ir de peito aberto sabe?

Uma viagem faz você se encontrar com você mesma. Aqueles encontros que você adia porque nunca tem tempo? Pois é.  Prepare-se pra ficar frente a frente com você!

As fotos de uma viagem te trazem a tona sentimentos e reflexões como no mesmo dia. E só você vai entender o que tem por trás de cada uma daquelas imagens.

Eu venci meu medo de viajar sozinha, venci meu medo de não ter fluência em outro idioma, venci meu medo de não saber me virar… nossa, como eu cresci!

Ele talvez nunca tenha entendido o porque que eu chorei com um presente tão simples. Talvez nem imagine o quão grata sou até hoje por esse presente.

Imagina uma mulher do meu tamanho chorando no meio da rua, debaixo de uma tempestade, com o rosto voltado para o céu? Um mão, segurava um guarda chuva inclinado pro chão. Na outra mão, um colar apertado na minha palma e sua corda entrelaçada nos meus dedos.  Essa foi a cena daquele momento.

Continuação na parte 3.

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E antes que me pergunte. Todos os “causos” românticos realmente aconteceram comigo!

A ideia de compartilhar essas histórias é para mostrar que uma viagem pode nos trazer mais do que apenas boas fotos…ela pode trazer as experiências que você quiser! Basta estar abertas as oportunidades!

Grande beijo

Aline Monteiro

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Postado por: Aline Monteiro

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Extrovertida, brincalhona, aventureira, mãe, mulher, resolvida e também adoro mochilar um pouquinho mundo a fora!

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